Um homem de 47 anos, que seria julgado por homicídio, foi morto a tiros na manhã desta quinta-feira (17), minutos antes de participar de uma sessão do Tribunal do Júri em Santo Antônio de Leverger (a 34 km de Cuiabá). Marcos Benedito da Silva respondia ao processo em liberdade e foi assassinado do lado de fora da Câmara Municipal, onde ocorreria o julgamento.
A Câmara é utilizada para as sessões do Tribunal do Júri porque o Fórum da comarca não possui estrutura própria para esse tipo de julgamento.
Segundo o advogado de Marcos, Elder Almeida, o réu chegou ao local acompanhado de familiares e testemunhas de defesa. O defensor entrou no plenário para se preparar para a sessão, enquanto Marcos permaneceu do lado de fora.
Pouco depois, foram ouvidos disparos.
“Infelizmente, após deixá-lo aqui na porta, eu fui me preparar dentro do plenário e ele ficou com as testemunhas de defesa e com a irmã. Logo em seguida, ouvimos os tiros. Quando saí, ele já estava estirado, sem vida”, relatou o advogado.
Julgamento seria por homicídio
Marcos seria julgado por um homicídio ocorrido há cerca de seis anos, na região do Estirão Comprido, em Barão de Melgaço (a 121 km de Cuiabá).
De acordo com Elder, a defesa não tinha conhecimento de ameaças recentes contra o cliente e não havia indicação de que ele corresse risco durante o julgamento.
“Não tinha ameaça. O fato que seria julgado hoje aconteceu há uns seis anos. Se houvesse essa preocupação por parte da defesa ou do próprio Marcos, nós teríamos pedido o desaforamento do julgamento”, explicou.
O advogado afirmou ainda que a possibilidade de transferir o júri para outra comarca chegou a ser discutida com Marcos e familiares, mas foi descartada justamente porque, até então, não havia indicação de risco ou temor de represália.
Marcos nasceu e foi criado na região de Barão de Melgaço, mas havia deixado a comunidade onde ocorreu o crime após o episódio que seria analisado pelo júri.
Segundo o defensor, ele trabalhava em outro município, embora mantivesse contato frequente com familiares que continuavam na região.
Polícia investiga
A sessão do Tribunal do Júri não chegou a ser realizada após o assassinato.
As circunstâncias do crime, assim como a autoria e a possível motivação, deverão ser investigadas pelas autoridades policiais.

