O candidato ao governo de Mato Grosso pelo Missão, Rafaell Milas, criticou a decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu a propaganda eleitoral digital do candidato à Presidência Renan Santos, seu correligionário. Ao chegar ao debate da TV Vila Real, nesta terça-feira (1º), Milas classificou a medida como uma “facada do Bolsonaro” e afirmou que houve perseguição contra o candidato do partido.
“Cara, eu acho que vai ser a facada do Bolsonaro com o Renan Santos”, disparou Milas.
A decisão de Toffoli, divulgada na segunda-feira (31), suspendeu a propaganda eleitoral de Renan na internet, além de impedir sua participação em debates, entrevistas e sabatinas e suspender o repasse de recursos do Fundo Eleitoral. A medida é cautelar e não significa, neste momento, que a candidatura de Renan tenha sido barrada.
O ministro apontou irregularidades relacionadas à declaração das redes sociais utilizadas pela campanha. Segundo a decisão, 16 perfis foram informados à Justiça Eleitoral apenas posteriormente ao pedido inicial de registro da candidatura. Para Toffoli, a omissão poderia gerar vantagem indevida ao candidato nos mecanismos de recomendação das plataformas.
Milas, porém, contestou a decisão e afirmou que Toffoli teria agido de ofício, sem provocação de outra parte. Segundo ele, Renan teria regularizado as redes sociais poucos dias depois.
“Foi uma decisão de ofício, ou seja, ninguém precisou provocar o Dias Toffoli no TSE para isso. Geralmente o partido que denuncia alguma coisa. Não, foi de ofício, ou seja, uma clara perseguição”, afirmou.
O candidato ao Governo de Mato Grosso também questionou o impacto que a decisão poderia ter caso o entendimento seja aplicado a outros candidatos. Segundo ele, um levantamento apontaria que mais de 2,7 mil políticos poderiam ser atingidos por uma interpretação semelhante.
“Se a moda pegar, o cálculo mostrou que mais de 2.700 políticos candidatos ficariam fora”, declarou.
Milas também relacionou a decisão às críticas feitas por Renan e pelo Movimento Brasil Livre (MBL) a Dias Toffoli. Ele afirmou que o correligionário participou de manifestações que cobravam a prisão do ministro e fez denúncias relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master.
“O Renan foi o único do nosso movimento que fizemos quatro manifestações pedindo a prisão do Toffoli, revelando o acordo entre Toffoli e o Vorcaro”, disse.
Para Milas, a decisão teria retirado Renan da disputa eleitoral de forma desproporcional.
“O MBL denuncia, o Renan denuncia esse cara, e esse cara, de ofício, de maneira monocrática, vai lá e tira as redes do carro, tira o carro do jogo”, afirmou.
Apesar das críticas, a decisão de Toffoli não retirou, até o momento, Renan Santos da disputa pela Presidência. O ministro determinou que o candidato e o partido prestem esclarecimentos sobre os perfis utilizados na campanha, e o registro da candidatura ainda será analisado pelo TSE.
Ao final, Milas afirmou acreditar que a decisão será revertida.
“Isso, claramente, é uma perseguição, mas será revertido”, concluiu.
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