O professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Saulo Tarso Rodrigues foi preso na tarde desta segunda-feira (10), no bairro Marajoara, em Várzea Grande, por descumprimento de medidas cautelares determinadas pela Justiça. Durante o cumprimento do mandado, ele resistiu à prisão e precisou ser contido com um dispositivo de condução elétrica.
A ordem judicial foi cumprida por policiais no âmbito do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá. Segundo as informações, a utilização do dispositivo ocorreu diante da resistência apresentada pelo professor no momento da prisão.
Saulo é investigado em um caso envolvendo a ex-companheira e já foi condenado pela Justiça pelo crime de perseguição, conhecido como stalking. A decisão concluiu que a conduta ultrapassou tentativas de reaproximação e configurou crime previsto no Código Penal. Ele recorreu da condenação.
Conforme denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), entre setembro e outubro de 2022, o professor enviou repetidos e-mails à ex-companheira, mesmo sem autorização ou interesse dela em manter contato.
Segundo o processo, as mensagens exigiam encontros presenciais e apresentavam tom intimidatório. A sentença aponta ainda que Saulo fazia referências aos horários de trabalho da vítima e encaminhava questionamentos que provocaram medo e abalo emocional.
O relacionamento entre os dois durou aproximadamente 13 anos e terminou em 2017. Conforme os autos, anos após a separação, o professor passou a insistir em contatos considerados invasivos pela Justiça.
Afastamento da UFMT
Antes da prisão, Saulo já havia sido afastado provisoriamente das atividades na UFMT. A medida foi determinada por meio de portaria assinada pela reitora Marluce Aparecida Souza e Silva.
Conforme o documento, o professor deveria permanecer afastado de todas as atribuições do cargo, sem prejuízo da remuneração, até a conclusão dos trabalhos da Comissão de Investigação Preliminar instaurada pela universidade.
A portaria prevê que o afastamento poderá ser revogado caso deixem de existir os motivos que levaram à adoção da medida. O documento também determina que o afastamento não seja registrado no histórico funcional do servidor.
Segundo dados do Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU), Saulo recebe salário bruto mensal de R$ 20,6 mil.
Até o momento, não foram divulgados quais medidas cautelares teriam sido descumpridas pelo professor nem detalhes sobre a investigação administrativa conduzida pela UFMT.

